Alberto Caeiro da Silva nasceu em Lisboa, 16 de
abril de 1889 ou agosto de 1887 e morreu
em junho de 1915. Foi um heterônimo criado
por Fernando Pessoa, sendo considerado o Mestre Ingênuo dos
heterônimos Álvaro de Campos e Ricardo Reis e do seu
próprio autor, apesar de apenas ter feito a instrução primária.
Um poeta ligado à natureza, que despreza e
repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que
"pensar é estar doente dos olhos". Proclama-se assim um
anti-metafísico. Diz que, ao pensar, entramos num mundo complexo e problemático
onde tudo é incerto e obscuro. À superfície é fácil reconhecê-lo pela sua
objetividade visual, que faz lembrar Cesário Verde, citado muitas vezes
nos poemas de Caeiro por seu interesse pela natureza, pelo verso livre e pela
linguagem simples e familiar. Apresenta-se como um simples "guardador de
rebanhos" que só se importa em ver de forma objetiva e natural
a realidade. É um poeta de completa simplicidade, e considera que a
sensação é a única realidade.
Órfão de pai e mãe, não exerceu qualquer profissão e estudou
apenas até a 4ª série. Viveu grande parte da sua vida pobre e frágil
no Ribatejo, com sua tia-avó idosa. Mais tarde escreveu “O Guardador
de Rebanhos” e depois “O Pastor Amoroso”. Voltou no final da sua
curta vida para Lisboa, onde escreveu “Os Poemas Inconjuntos”, antes
de morrer de tuberculose aos 26 anos.
Foi descrito por Álvaro de Campos: "Vejo-o diante de
mim, vê-lo-ei talvez eternamente como primeiro o vi. Primeiro, os olhos azuis
de criança que não têm medo; depois, os malares já um pouco salientes, a cor um
pouco pálida, e o estranho ar grego, que vinha de dentro e era uma calma, e não
de fora, porque não era expressão nem feições. O cabelo, quase abundante, era
louro, mas, se faltava luz, acastanhava-se. A estatura era média, tendendo para
mais alta, mas curvada, sem ombros altos. O gesto era branco, o sorriso era
como era, a voz era igual, lançada num tom de quem não procura senão dizer o
que está dizendo, nem alta, nem baixa, clara, livre de intenções, de
hesitações, de timidezas.
O olhar azul não sabia deixar de fitar. Se a nossa
observação estranhava qualquer coisa, encontrava-a: a testa, sem ser alta, era
poderosamente branca. Repito: era pela sua brancura, que parecia maior que a da
cara pálida, que tinha majestade. As mãos um pouco delgadas, mas não muito; a
palma era larga. A expressão da boca, a última coisa em que se reparava — como
se falar fosse, para este homem, menos que existir — era a de um sorriso como o
que se atribui em verso às coisas inanimadas belas, só porque nos agradam —
flores, campos largos, águas com sol — um sorriso de existir, e não de nos
falar.”
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