Criação dos Heterônimos


Alberto Caeiro: Na carta de Fernando Pessoa para Adolfo Casais Monteiro, ele explica que "se lembrou um dia de inventar um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já me não lembro como, em qualquer espécie de realidade". Levou alguns dias para conseguir elaborar e criar o poeta, mas não conseguiu. Quando desistiu, em 8 de março de 1914, escreveu de pé mais de trinta poemas, "numa espécie de êxtase", sem natureza definida. A esse dia Fernando Pessoa chamou de Dia Triunfal, aberto com o título O Guardador de Rebanhos, e foi exatamente neste dia que surge Alberto Caeiro. Pessoa afirma que "aparecera em mim o meu mestre" e que quando escreve em nome de Caeiro, é por pura inesperada inspiração, sem saber ou premeditar o que irá escrever.

Ricardo Reis: Em aproximadamente 1912, Fernando Pessoa teve a ideia de escrever alguns versos com índole pagã. Esboçou alguns versos irregulares e depois abandonou a ideia. Como o autor diz, "Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (tinha nascido, sem que o soubesse, o Ricardo Reis)", heterônimo que veio a se concretizar a partir do Dia Triunfal, depois da criação de Alberto Caeiro.

Álvaro de Campos: Surge, também no Dia Triunfal, em oposição extrema a Ricardo Reis embora também sendo um discípulo do mestre Alberto Caeiro, Álvaro de Campos com sua Ode Triunfal.


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